Terça-feira, Novembro 30, 2004
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Top 10 Lee "Scratch" Perry

"It was only four tracks on the machine, but I was picking up twenty from the extra terrestrial squad."

Outro dia recebi um e-mail (salve, Rica) pedindo um top 10 do Lee Perry pra colocar no blog. Respondi que andava meio ocupado, sabendo de antemão que tal missão não é tarefa das mais fáceis. Confesso que fiz a lista totalmente no desleixo, empregando o velho método da memória. Não ia ficar dias e dias (re) escutando todos os discos e mp3´s que tenho do cara, tenho mais o que fazer, mas, se essas músicas pipocaram na cabeça primeiro que as outras, é sinal de que não estão aí a toa. Detalhe: é um top 10, mas daí a botar em ordem de preferência são outros quinhentos.

1- "Ark of the Covenant" - The Congos (1977)
2- "Tedious" - Junior Murvin (1977)
3- "Secret Laboratory (Scientific Dancehall)" - Lee Perry + Adrian Sherwood (1990)
4- "Fever" - Junior Byles (1972)
5- "Vampire" - Devon Irons (1976)
6- "Justice to the People" - Lee Perry and The Upsetters (1973)
7- "Full Experience" - Full Experience (1978)
8- "Return of the Super Ape" - The Upsetters (1978)
9- "Words of my Mouth" - The Gatherers (1973)
10- "Vibrate On" - Lee Perry + Augustus Pablo (1979)

Não tô falando que é difícil fazer o bagulho?

11- "Open the Gate" - Watty Burnett (197?)
12- "History" - Carlton Jackson (1977)
FRANCISCO LINHARES
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Segunda-feira, Novembro 29, 2004
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Dub na revista Época
Leia aqui
FRANCISCO LINHARES
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Domingo, Novembro 28, 2004
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De volta ao dub

Digital Sound Killer

por Hélio "Weirdo" Matos, redator do DNB Online

O drum'n bass está evoluindo. Mas a evolução pode soar um tanto estranha aos ouvidos de quem acompanha os passos do estilo há muito tempo. Mas por que isso? Fácil explicar: porque estamos voltando às origens. O estilo recupera agora uma das maiores influências das primeiras produções, ainda dos anos dourados do jungle e dá um loop na história. O dub está de volta.

Essa vertente do reggae surgiu no começo dos anos 70. Artistas jamaicanos passaram a dar maior destaque em suas produções para dois instrumentos: bateria e baixo. As batidas e graves vinham acompanhadas por vários efeitos. As faixas geralmente traziam curtos trechos de vocais - para serem tocadas pelos DJs - ou nenhuma voz - para que nos sound systems os cantores entrassem ao vivo. Até mesmo músicas que surgiram antes do dub foram remixadas e relançadas em outras versões. Nomes como King Tubby, Lee Perry e Scientist fizeram história e são tidos como gurus do estilo. Os cantores de dub são chamados "estranhamente" de DJs. Um discotecário desse estilo é denominado Selector ou Selecta. E ainda hoje, o termo "dub" é usado para definir faixas que vêm sem vocais, geralmente retirados das versões originais.

E onde entra o drum'n bass na história?

Aqui: a combinação entre bateria e baixo também é a base da música que move os junglists. Nada mais óbvio poderia acontecer: o dub volta a aparecer em releases dos mais diversos produtores e selos. Claro que nem tudo é novidade: o estilo sempre trouxe marcas nas produções de artistas específicos.

Um bom exemplo é o inglês Digital. Faixas tribais, guiadas pela pegada do dub sempre foram uma das linhas desse grande nome. "Eaze Off" e "Deadline" trazem a marca em suas composições. Das mais recentes, pode ser citada a faixa "Get Away" com vocais de Irie J, lançada pelo selo Bassbin em abril desse ano. O "Dub Soundclash EP" é outro exemplo muito próximo. Aqui, Digital se uniu à Jubbs Chambers - do duo Supply & Demand - para explorar de várias formas a influência do som jamaicano no drum'n bass.

Muitos outros mostram que estão totalmente na onda. Também pelo Bassbin, "Mars" do Breakage traz a atmosfera jamaicana com vocais editados e pequenos efeitos de dub. Calibre - o produtor que emplacou mais hits em 2004 - também apresenta seus tostões de contribuição: o single "Little Man" / "Redlight" ao lado de Lee Davenport é declaradamente uma volta à velha escola, além de "Trust", por seu Signature. Muitas outras podem ser citadas: Artificial Intelligence e sua "Uprising", pelo V Recordings; Amit e a faixa "Changes", pelo Function; até mesmo a Hospital Records cedeu espaço: Cyantific com "Reincarnation Dub" é mais uma nessa lista.

Essa nova levada de produções traz um pouco da vibração do jungle de volta às pistas: chegamos a um ponto de encontro com o passado - que, no fundo, nunca nos abandonou. O retorno às origens pode ter sido causado pela falta de novidades e pela constante busca por evolução no estilo. Fato é: se esse "algo mais" está sendo buscado em algo que já funcionou anos atrás, talvez ainda haja esperança. É preferível buscar inovação sob velhas influências a criarmos novidades descartáveis.
FRANCISCO LINHARES
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Sexta-feira, Novembro 26, 2004
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Mashit Records: raggabreaks, dubcore, speedbeats, genreblends

Todo mês, a página do finado John Peel na BBC destaca uma "grande" gravadora independente. A última a ser agraciada com o título de "gravadora do mês", foi a americana Mashit, responsável por fusões interessantes de música jamaicana e jungles frenéticos, com batidas e noises bem diferentes desses que a gente escuta nas pistas. Seu site tem todos os lançamentos disponíveis para download, além de um link para ouvir um mixtape que o DJ C, dono da Mashup, fez para o John Peel. Destaco "Conscience a Heng Dem (Junkore Mix)", com o Capleton nos vocais, e um mashup de "Billy Jean", do Shinehead, que é de rir e chorar de tão boa. Essa última, inclusive, já está devidamente encomendada dos States. Issa!
FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Novembro 24, 2004
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Carnaval movido a reggae

Meus amigos sabem que nunca gostei de Carnaval. Definitivamente, samba não é o meu forte. Quando janeiro começa a terminar e ainda não tenho viagem certa pra fazer, fico cheio de calafrios. Agora, se eu morasse em Londres, seria o mais feliz dos foliões. Pudera, são mais de quarenta sound systems de reggae espalhados pelo bairro de Notting Hill, em dois dias de festa.

Originalmente, no papel, o carnaval londrino é uma festa de Trinidad e Tobago. Só que todos os países caribenhos tem vez. E a Jamaica, ano após ano, rouba a festa. Antes mesmo de chegar nas ruas do bairro, se percebe isso no metrô, tal a quantidade de pessoas usando camisas da Jamaica.

Depois da ressaca do Creamfields Liverpool, que tinha ocorrido no dia anterior, optei por um começo de carnaval light para o 1º dia. Fui conferir a festinha fechada do Two Culture Clash, disco/evento mais badalado pelos cadernos culturais londrinos. O disco em si é mais interessante do que bom, já que algumas das parcerias entre produtores ingleses e cantores jamaicanos não funciona. Crente que ia tomar uma ou outra Guiness geladinha no esquema, me deparei com o preçinho nada camarada de 15 reais por cerveja. Com a boca seca, voltei pra casa rapidinho, até porque a festa parecia desfile de moda. A boa mesmo era descansar e recuperar as energias para o segundo dia do carnaval.

Com a ajuda do bom e velho Targifor C (santo remédio) e de um Red Bull logo no café da manhã, estava pronto para os sound systems Abashanti-I e Channel One, dois dos mais respeitados da cena UK Roots - leia-se steppers digitais violentíssimos - e presenças quase que garantidas nos eventos da University Of Dub. Chegamos no comecinho do Aba, quando ele parecia ainda passar o som. E, curiosidade, as músicas escolhidas por ele para testar o sound eram todas vindo de dubplates. Era como se ele disesse as quase cem pessoas ali reunidas, gente de todas as raças e culturas, que o som feito por ele era o mais forte de todos. Como o negócio ainda estava esquentando, a boa era, ou tomar uma Red Stripe, ou bater um rango de rice and peas com jerk chicken/curry goat, ou apertar unzinho. Ou fazer os três de uma vez! Mais Jamaica impossível. Quando tudo parecia bem, pedras rolando (lembro em especial de "Caring for My Brothers", do Barry Brown), fumacê geral, rostos felizes, o som pifa. O que me fez pensar que todos nós estamos sujeitos a esse tipo de problema, dos amadores aos mais cascudos profissionais. Quando o entrevistamos, alguns dias depois, Aba nos disse que foi um problema com o gerador, e que uma hora depois, seu irmão tinha conseguido consertar o troço. Só que não ficamos ali pra ver, vai que o som não voltava? Suicídio na certa. O destino agora era o Channel One Soundsystem com seu deejay Mikey Dread (nada a ver com o lendário estúdio jamaicano, nada a ver com o lendário deejay/engenheiro jamaicano. Por conta dessa confusão, achei que os dois eram a mesma pessoa, fato que foi desmentido pelo Mikey original, ao telefone. Ele mora com sua esposa em Ft. Launderdade, na Flórida, e não gosta nem um pouquinho dessa história de ter um inglês usando o nome dele).

Nem tudo são flores em Notting Hill. O bagulho é muito, muito cheio. São mais de 2 milhões de pessoas circulando pelo bairro. E, pra piorar, os "poliça" ainda fecham várias ruas para evitar tumulto. Ou seja, pra chegar num lugar que demoraria 15 minutos, hora e meia. Foi desesperador. Quando finalmente ouvimos as primeiras linhas de baixo, veio um grande alívio. Seguido logo logo de êxtase. Exatamente no centro de direção das caixas de som, meu corpo todo tremia. Até minha pupila de vez em quando dava uns tremiliques. O esquema do Channel era bem mais precário que o do Aba, com muito menos espaço. Mas a empolgação do público era bem maior. Quando o selector - dentro da traseira de um caminhão! - trocou a trilha roots futurista por "Java", do Augustus Pablo e "Blood And Fire", do Niney, canções do iniciozinho dos anos 70, piração coletiva. Devia ter fácil umas 250 pessoas gritando e pulando. Voltei pra casa feliz da vida.
FRANCISCO LINHARES
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Terça-feira, Novembro 23, 2004
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Falta do que fazer


Deu na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos

O MP fará está semana operações de apreensão de papéis de enrolar cigarros, as chamadas "sedas", que hoje são vendidos livremente pela cidade. O motivo alegado é apologia ao uso de drogas, já que estes papéis, importados da Espanha e dos EUA, são usados pelos maconheiros para fazer seus cigarros. Os promotores pensam, ainda, em pedir à Assembléia que aprove uma lei proibindo de vez a venda desse produto no estado.

FRANCISCO LINHARES
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Sexta-feira, Novembro 19, 2004
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É só chegar. E dançar.

FRANCISCO LINHARES
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Quinta-feira, Novembro 18, 2004
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"Cidade de Deus é o caralho. Isso aqui é a Jamaica, meu chapa".

o cifrão diz tudo

Nossa passagem por NY foi única e exclusivamente programada para o encontro com King Jammy, o mais famoso dos discípulos do dubmaster King Tubby. Mas, como íamos ter que ficar cinco dias lá, agendamos entrevistas com Bullwackie e Ticklah. O grande mérito de Jammy foi se tornar produtor rapidamente, ambicionando uma carreira muito mais ampla que a de engenheiro de som. Se Henry "Junjo" Lawes é reconhecido como o grande produtor da primeira metade dos anos 80, a segunda é todinha de Jammy, o responsável pela revolução digital com "Sleng Teng", de 85, cuja base foi inteiramente feita num teclado Cassio. Parênteses. Comprei em Londres, "King Jammy", da canadense Beth Lesser, livro que mostra nos mínimos detalhes o cotidiano das gravações no estúdio do cara, inclusive a de "Sleng Teng", das aspirações dos novos deejays e as apresentações do Super Power, sound system de Jammy, que participava de rachas, os soundclashes, violentos. Literal e metafóricamente.

A entrevista foi marcada no wholesale da VP Records, num bairro chamado Jamaica, no Queens. A VP é propriedade do clã chinês-jamaicano dos Chin, praticamente uma major no assunto ragga, só que também responsável por uma enchurrada de relançamentos, em especial os do Channel One.

A (longa) espera por Jammy foi a mais enervante de todas. Primeiro, porque Jammy já tinha dado sinais ao telefone que queria embolsar algum com a entrevista. Segundo, porque andar por dezenas de corredores abarrotados de discos e não poder fazer nada não é uma das sensações mais agradáveis do mundo. Explico. o wholesale só vende em lotes, um atacado. Uns quarenta minutos depois do horário combinado, eis que o Jammy aparece. Infelizmente, acompanhado do seu empresário, um tal de John. Pro nosso azar, o sujeito fez de tudo para nos convencer de que Jammy merecia um trocado. Dizia que ele tinha 8 bocas pra alimentar e que o trabalho dele era exatamente esse, botar comida no prato dos moleques. John ficou indignado quando dissemos que outros artistas jamaicanos não tinham cobrado pra dar entrevistas (ainda não tínhamos ido a L.A entrevistar o Scientist). Segundo ele, ao dizer isso, estavamos comparando o rei com um bando de zé ninguéns. "That´s the fucking King", ele não parava de repetir. O (?) engraçado dessa história toda foi que nos primeiros instantes de nossa conversa, John perguntou se gostávamos do filme Cidade de Deus. Aliás, pergunta recorrente em toda a viagem. Ele queria saber se era perto de nossas casas, se era perigoso mesmo, etc. Quando o papo foi ficando mais neurótico, John soltou a frase título desse texto e completou: "se eu descobrir que vocês fizeram dinheiro com esse filme e não enviarem nada ao Jammy, mesmo que sejam só 8 dólares, eu acho vocês em qualquer lugar do mundo. Até na porra da Cidade de Deus." Enquanto isso, Jammy ria à toa. Si-nis-tro.

É uma sensação bastante estranha, comhecer um ídolo e se decepcionar tanto. No começo rola uma raiva, como se tivesse baixado um espírito adolescente em você. "Ah, nunca mais vou ouvir nenhuma música desse pela saco mercenário". Mas é besteira. A música é, e sempre será, maior que o artista. O mestre Calbuque conta uma história em que preferiu não conhecer o Eric Clapton por medo de se decepcionar com o cara.

Obs: Da fase "Prince", recomendo os dub álbuns "In the Light Dub", produção de Everton Da Silva; "Africa Must Be Free By 1983 Dub", produção de Augustus Pablo e "In A Lion Style", com dubs do primeiro disco do Black Uhuru, produzido pelo próprio Jammy. Já coroado rei, as boas são as coletâneas "King Jammy, a man and his music" (3 volumes) e "The Crowning of Prince Jammy".
FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Novembro 17, 2004
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E.T from Zion

O sempre atento Luís Reggae Soul acaba de passar a info que Errol Thompson, um dos grandes engenheiros de som jamaicanos, faleceu nesse domingo vítima de infarte. Puta que paroca. Só pode tá rolando uma "maldição Dub Echoes": quem a gente não conseguiu entrevistar, morre. Depois de John Peel, o E.T.
Damon Albarn e Roni Size, tomem bastante cuidado, vocês podem ser os próximos...Si-nis-tro.

FRANCISCO LINHARES
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Terça-feira, Novembro 16, 2004
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Ouvindo direto

Aisha - "The Creator" 12"
Mad Professor clássico. Essa aí tive o prazer de ouvir na apresentação do "homi" no Circo Voador. Muito roots.

General Echo - "Bathroom Sex"
Sempre houve "slackness" (putaria, em bom português) nas letras jamaicanas, mas o General, em 79, gravou o disco "The Slackest LP", e ajudou ainda mais a difundir os temas hedonistas no dancehall. No ano seguinte, pouco depois de lançar seu segundo disco, 12 inches of Pleasure (cá entre nós, um dos melhores títulos de disco de todos os tempos), General morreria numa dura policial.

Butch Cassidy Sound System - Butches Brew (álbum)
Um disco perfeito. Merece até resenha aqui no dubblog. Toco direto na pista "The Putney", mais calminha, boa pra esquentar as turbinas e "Brothers and Sisters", um dub house da pesada.

Johnny Osbourne - "Fally Lover"
Esse aí tem uma das minhas vozes preferidas do reggae. "Junjo" Lawes e os Roots Radics estão em plena forma nessa canção dor de cotovelo. "Uptown, downtown, all around town fally lover."

Half Pint - "Greetings"
"Greetings i bring from jah, to all raggamuffin". Junto com "Ring The Alarm", talvez essa seja um dos hinos oficiais do dancehall. Uma das músicas que definiu o termo ragga como a música dos jovens do gueto. Produça de George Phang.
FRANCISCO LINHARES
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Sexta-feira, Novembro 12, 2004
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Já pensou?
/
Arte do camarada Pedro "Croata" Martino
FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Novembro 10, 2004
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Steve Barrow e David Katz

Pra quem não conhece, os dois nomes acima são os principais estudiosos do reggae / donos de gravadoras de reggae do mundo. O primeiro, inglesão típico, beirando os 60, é autor da verdadeira bíblia, "The Rough Guide To Reggae", já trabalhou pra Island Records e pra Trojan, e há uns 11 anos é A&R da Blood And Fire. Katz, californiano, o estereótipo do nerd em pessoa, é autor de "People Funny Boy", biografia de Lee Perry, e de "Solid Foundation", e é um dos responsáveis pela gravadora Auralux, que conta, por enquanto, com 4 títulos no seu catálogo. São eles: "14 Dub Blackboad Jungle", do Lee Perry, "Whip Them King Tubby", disquinho com produções do Linval Thompson, "African Anthem Dubwise", do Mikey Dread e a coletânea de singles raros do ínico dos anos 80, "Roots Of Dancehall".

Vimos David Katz em plena ação, comandando as carrapetas do "Dub Me Always", night cool de dub e reggae de um café em Brixton. Digo cool porque não há pista de dança no lugar, só cadeirinhas e pessoas conversando, tomando cerveja e comendo amendoim. A grande atração da noite eram os slides de fotos tiradas pelo próprio Katz na Jamaica. Algumas inclusive garimpadas pelo único banco de imagens especializado no assunto, o Urban Image.

A entrevista que fizemos com ele foi ótima. Talvez tenha ficado um pouco longa demais, o que é natural quando o entrevistado sabe tudo e mais um pouco, mas ficou recheada de histórias curiosas, principalmente sobre Lee Perry, sua especialidade. Sabem aqueles mugidos que vira e mexe aparecem em músicas da fase Black Ark? Uns dizem que Perry levou o animal, coitado, ao estúdio e daí gravou um sample. Na real, o "muuuu" é do Watty Burnett imitando uma vaquinha!

A comparação entre os dois figuras é inevitável. Katz é caretão, mão de vaca (saímos de lá de mãos abanando), dono de uma discoteca respeitável e gente boa. Barrow é rock n´ roll. Não para de fumar (industriais e artesanais) cigarros por um segundo e descarrega seu inglês afiado contra tudo e contra todos. Marrento o homem. Mas, muito boa gente. Ainda mais se levarmos em conta o fato de que o Bruno saiu da casa dele com uns 30 cd´s na mão e eu com a recém lançada terceira edição da bíblia, com autógrafo e tudo ("Rough, tough, yunno? Respect from Steve Barrow") e com uns buds ingleses. Ah, e o sujeito tem uma coleção de discos gigantesca. Mais de 20.000 títulos! Pra andar de uma ponta à outra do seu escritório é preciso grande desenvoltura. Os discos não cabem mais nas estantes e estão por todo o chão. Na segunda vez que fomos na sua (modesta) casa, a zona estava ainda maior. Culpa de uma porção de caixas repletas de 7" de música africana, vindos de Gana e do Congo! É desse jeito, comprando e vendendo discos, geralmente coisas obscuras e raridades, que Barrow faz seus bicos. A Blood And Fire, pasmem, não vai nada bem no mercado fonográfico. O Heart Of The Congos, disco mais representativo do catálogo da B&F vendeu apenas 40 mil cópias. Cruzes.

A entrevista com o Barrow foi um pouquinho pior. Não por falta de conhecimento, nada disso, mas é que falta nele uma certa capacidade de síntese. O homem fala pelos cotovelos, entrevistado ou mesmo batendo papo. Barrow para de falar apenas quando começa a ouvir música. Aí ele só abre a boca pra "narrar" a canção. "E agora, prestem atenção, solo de sax do McCook. Que maravilha! Olhem só essa percussa do Sticky, groove puro!" Ouvimos um monte de compactos raríssimos, a maioria de rocksteady, grande paixão de Barrow. Ouvimos também, em primeira mão, gravações do Blood And Fire Sound System na França, com, minhanossasenhora, Ranking Joe e U-Brown no mic. Barrow fez questão de nos mostrar uma parte onde o Ranking Joe improvisou sobre a quase prisão de Barrow por ter fumado maconha na noite anterior. Gostei do velho.

Obs: Por um vacilo total da empresária do John Peel, ficamos sem sua entrevista. Ela pediu pra ligarmos um determinadado dia, no finzinho da viagem, só que esqueceu de nos avisar que ele não morava em Londres. A gente até poderia ir atrás dele, só que não dava mais tempo. Imagina o valor que essa entrevista teria agora, com o recente falecimento do mais importante radialista de todos os tempos? Quero nem pensar.
FRANCISCO LINHARES
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Segunda-feira, Novembro 08, 2004
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Digital

FRANCISCO LINHARES
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Sexta-feira, Novembro 05, 2004
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Pala

Depoimento de Keith Levene, ex-The Clash e Public Image, sobre o dub:

"I respected that rock and roll format for what it was, but what I wanted was a new vocabulary to work within. The blues weren't anything to do with me you know? I wanted to get away from that 12 bar bullshit. The Ramones had been the ultimate in that 12 bar form, they had taken it to a logical extreme, but I wanted to investigate what lay beyond that. That was why dub music and version on those Jamaican dub plates fascinated me, because they had nothing to do with accepted structures and formats at that time. Nothing to do with 12 bar structures! Nothing to do with the blues or rock music. Those dubs sounded so strange, like music from another planet - they sounded like rhythms from an African settlement on Mars! I loved them, and they influenced me a lot. John Lydon was influenced by them a lot too. Dub had nothing to do with rock n roll vocabulary, but was dealing with frequencies and sounds that had never been even invented before that time!" (Keith Levene, "Looking for Something" Interview, 2004)
FRANCISCO LINHARES
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Quinta-feira, Novembro 04, 2004
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Matrix
Darei hoje uma canja na Casa da Matriz, de meia noite à uma. Apareçam.
FRANCISCO LINHARES
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