Segunda-feira, Maio 31, 2004
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Genial

FRANCISCO LINHARES
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Quinta-feira, Maio 27, 2004
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Bom programa

23:00 DIGITAL DUBS SOUND SYSTEM
01:00 UNCLE JORGE FEAT. U-CREW
02:OO DIGITAL DUBS SOUND SYSTEM
03:00 GRAVE!
04:00 MARCELINHO DA LUA
FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Maio 26, 2004
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Ataque meia bomba
Pois é. O show de segunda feira do Massive Attack na Via Funchal foi totalmente frustrante. Não foi um show ruim, mas foi bem menos do que eu esperava. Bem menos mesmo.
Assisti ontem (terça) o show do Marcelinho da Lua no Teatro Rival e fiquei pensando: "caralho, taí um show foda, inesquecível." Não dá nem muita vontade de continuar escrevendo, ficar falando mal das coisas é um saco. Vou escrever bem pouco, mas vamos lá.
Se os ingleses do Massive Attack não arrebentaram, os DJ´s paulistas Pedrinho Dubstrong e Nuts, responsáveis pelo aquecimento do público, só fizeram a galera esfriar e ficar cansada. Foram mais de duas horas de hip hop old skool e alguns electrofunks das antigas. Não ouso desmerecer a técnica dos caras, domínio perfeito das pick ups, mas a escolha do repertório poderia ter sido um pouco mais eclética. No final das contas, assisti mais os caras tocando que o próprio Massive Attack.
Lá pela meia noite o show começou. A cantora convidada Dot Allison, uma espécie de Beth Gibbons (Portishead) cover, só que muito pior, é claro, foi, junto com o som da Via Funchal, o ponto mais fraco da noite. Allison só empolgou com "Teardrop", mas aí é fácil, é o maior hit dos caras. O som, putz grilis, tava péssimo. Baixo, mal equalizado e mal distribuído. Eu estava bem pertinho do palco, no centro, e não ouvia nada. Foi só um amigo recomendar uma chegadinha pro lado, o que infelizmente, só foi acontecer na metade do show, que o som melhorou 50%. E ainda sim, continuava baixo.
A razão da minha ida a São Paulo, Mr. Horace Andy, a cada vez que saía do palco era ovacionado com louvor. O cara é foda. De oclinhos e dreads, com uma requebrada muito style, o cantor jamaicano foi o grande destaque da noite. Pena que só tenha cantado 3 músicas: "Angel", "Spying Glass" (o dub house mais fodão da história estava constrangedoramente baixo) e "Hym of the Big Wheel".
A outra cantora convidada, não sei o nome dela, teve uma participação pequena, cantou uma música e fez alguns backings com Horace Andy. Mas "Safe Harm", música que abre o primeiro disco dos caras, "Blue Lines", foi, sem dúvida, a melhor música do show, fazendo todo mundo cantar "you can free the word, you can free my mind, just as long as my baby´s safe from harm, tonight".
Talvez em segundo lugar esteja "Karmacoma", um mantra hipnótico dubwise total, cantado por Daddy G e 3D (praticamente não ouvi sua voz o show inteiro). Nessa hora, o "jamaica aroma" do refrão da música, podia ser sentido em todos os lugares. Pelo menos isso.
Resumindo. Foi um show sem clima, algo inadimissível para os reis dele.
FRANCISCO LINHARES
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Segunda-feira, Maio 24, 2004
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Massive Attack vem fazer dois shows no Via Funchal, em SP

do site da Erika Palomino

Tudo certo para as duas apresentações do Massive Attack no Via Funchal, em SP. Esta é a segunda vez que o grupo, que está entre os mais criativos da música eletrônica dos anos 90, vem ao Brasil. As datas fazem parte da turnê do grupo pela América do Sul, que passará ainda pelo Chile e Argentina.

O Massive já se apresentou no país no Free Jazz Festival de 98, em SP e Rio, com a presença ilustre do vocalista Horace Andy e sua indefectível sonoridade. No novo show em SP, marcado para os dias 24 e 25 de maio, segunda e terça-feira respectivamente, o grupo deverá apresentar os hits "Daydreaming", "Unfinished Sympathy", "Teardrop", "Safe From Harm", "Sly" e "Karmacoma", dos clássicos álbuns "Blue Lines" e "Mezzanine", mais faixas do seu mais recente trabalho "100th Window" e algum material inédito. Ainda não estão confirmados os nomes que farão parte das apresentações.

Junto com o Portishead e o cantor e produtor Tricky (que faz parte do primeiro álbum do Massive Attack), o projeto está entre os principais ícones da cena trip hop de Bristol, na Inglaterra. O trip hop é um gênero de música eletrônica, que une sons climático e viajantes (trip) à batidas do hip hop, que podem vir, ou não, acompanhado de guitarras e scratches. O clima é sexy, dark e hipnótico, bem legal e apropriado para o começo da semana.

Quem abre a apresentação dos ingleses é a dupla de DJs de black Pedrinho Dubstrong e Nuts. Eles farão um back-to-back tocando simultaneamente em quatro picapes. O playlist da dupla conta com funk, breakbeat, dub, reggae e soul. Eles vão tocar numa cabine montada no meio do Via Funchal e o Massive Attack sobe ao palco na seqüência.
FRANCISCO LINHARES
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1º Festa!

A história é a seguinte. O blog do camarada Bruno Natal, o URBe, vai virar site, ficando hospedado no gardenal.org, portal que reune uma pá de sites maneiros. Não deixem de conferir a estréia deste que vos escreve nas pick ups!

FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Maio 19, 2004
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Cool as Candy

A vinda de Horace Andy, meu cantor de reggae favorito, ao Brasil, para dois shows em São Paulo, me fez lembrar de uma história curiosa sobre o sucesso da gravadora Studio One, do recém finado Coxsone Dodd. Saca só o que ele falou ao estudioso Lloyd Bradley, autor de "Bass Culture":
"You could smoke weed there. By now (comecinho dos anos 70), Rasta was getting big in reggae and musicians want to build a spliff while they´re working and Studio One was the only place were you could do that. You couldn´t do in Dynamic or Federal or Duke Reid´s - skin up in Federal and they´re gonna run you out...physically. Duke Reid was once a policeman and apart from the legality - thought that wouldn´t have bothered Duke if it had suited him - he hated anything to do with Rasta and didn´t want it in the place. And Dynamic was owned by Byron Lee, who was real uptown, and he definetly don' want that business in his studio. Mr. Dodd, though, was sympathetic to rasta people. That´s why Studio One was number one, because you get the spiritual vibes mixed with the herb." Maneiro.
Pra mim, Horace Andy tem a voz mais inconfundível da Jamaica, um falseto cheio de estilo e groove. E foi quem melhor soube misturar temas roots com lovers.
O show de segunda certamente vai ter um sabor especial, já que da primeira vez que o Massive Attack tocou aqui, no Free Jazz de (?) 97, eu não curtia o som dos caras. Na verdade, eu não devia entender o som. Só pode. Pra quem não conhece, o Massive Attack (hoje, formado por Daddy G e 3D) praticamente inventou o que se costuma chamar de trip hop: batidas de hip hop soturnas e viajantes com forte influência de dub, revolucionando a música eletrônica e levando a música jamaicana a um novo patamar. Horace é o único da extensa lista de vocalistas convidados pela banda a cantar em seus quatro discos: "Blue Lines (91)", "Protection (94)," "Mezanine (98)" e "100th Window" (03). Se tudo der certo, no show de segunda irão rolar os grandes clássicos cantados por ele, como "One Love, "Five Man Army" (mix com os vocais de "Cuss Cuss, "Money, Money" e "Skylarking"), "Spying Glass e "Man Next Door" (ambas releituras de clássicos dos anos 70).
Outros projetos, como os que ele fez com os japoneses do Dry & Heavy e do Reggae Disco Rockers, mostram que Horace é um dos cantores das antigas que mais está na ativa.
No site mais completo sobre Horace, o resultado da enquete sobre as 10 melhores músicas dele foi esse:
1. Zion Gate
(31 votes)
2. My Guiding Star
(29 votes)
3. Mr. Bassie Discomix
(28 votes)
4. Every Tongue Shall Tell
(24 votes)
5. Ain´t No Sunshine
(21 votes)
5. Money Money
(21 votes)
7. You Are My Angel
(17 votes)
8. Don´t Think About Me
(9 votes)
9. Mr. Talkative
(8 votes)
10. See A Man´s Face
(6 votes)

"Problems", "Do You Love my Music", "Nice And Easy", "Rock to Sleep", "Thank You Lord", "Why o Why", "Good Vibes", "Papa was a Rollong Stone" são outras que mereceriam estar nessa e em qualquer lista que se preze.
Se você perder os shows, a única desculpa aceitável é o preço do ingresso (80 pratas), afinal: "money is the root of all evil".
FRANCISCO LINHARES
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Site maluco

FRANCISCO LINHARES
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Horace Andy, o maior cantor de todos os tempos, virá a São Paulo com o Massive Attack, um dos grupos mais poderosos de todos os tempos.

Folha de S.Paulo - Como serão os shows? Vão trazer uma banda completa?

Daddy G - Sim, será mais ou menos como da outra vez. Teremos [o cantor reggae] Horace Andy. Na nossa última tour, Sinead [O'Connor] participou conosco. Desta vez Sinead não irá, pois parece que ela não quer mais fazer shows. Então levaremos [a cantora escocesa] Dot Allison. Ela ficará com os vocais de Sinead. Até fizemos uma nova canção com ela.

Leia o resto da entrevista na Folha.


FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Maio 12, 2004
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Porque as lojas de disco no Rio não são assim, hein?

FRANCISCO LINHARES
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Sexta-feira, Maio 07, 2004
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Rio Fanzine
"Amanhã, na Fundição, tem o enésimo Tributo a Bob Marley, com diversas bandas, todas aparentemente estacionadas no imutável e estereotipado conceito de 'reggae raíz'. Será que Marley gostaria de ver isso?
FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Maio 05, 2004
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Morreu ontem a noite um dos mais importantes nomes da música jamaicana: Sir Coxsone Dodd. Ele tinha 72 anos e morreu devido a problemas no coração. O mais doido é que na sexta passada tinham mudado o nome da rua Brentford Road, sede da gravadora Studio One, por Studio One Boulevard. Faça sua homenagem a Coxsone, escutando qualquer disco do extenso catálogo da Studio One. Eu já botei um do Skatalites aqui no meu som.
FRANCISCO LINHARES
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Fotolog forte
O fotolog do DJ Pedrinho Dubstrong é muito bacana. Só tem crássicos do seu arquivo de discos, um melhor que o outro. Dubstrong também assina a produção do projeto Echo Sound System, cujo disquinho está a venda pela gravadora ST2.
FRANCISCO LINHARES
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Terça-feira, Maio 04, 2004
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Bob Marley não matou o roots reggae ou Rub a dub Style - O nascimento do dancehall

A morte de Bob Marley, em 11 de maio de 1981, abalou profundamente a indústria do reggae no mundo (leia-se Inglaterra). O que é um grande paradoxo, pois o cara que praticamente ensinou o que era reggae pros gringos agora os deixava orfãos. Mas, por que isso aconteceu? Bob Marley não foi crucial para mostrar outros sons, mais roots, para o grande público? Aí que tá. Segundo o estudioso Llyod Bradley, não. Pra ele, sempre existiu público na Inglaterra para a música jamaicana. Fãs hardcore que, antes de Bob explodir, já tinham "The Harder They Come", "Funky Kinston" e "Screaming Target". E que comprariam discos do Dillinger, do Prince Far-I e do Johnny Clarke mesmo que Bob não existisse. Ele afirma que pouquissimas pessoas se interessaram pelo reggae (no seu sentido mais amplo) por causa de Bob Marley. Até porque, pra elas, Bob Marley era reggae! Com a morte da sua figura central e sem ninguém com o carisma suficiente para substituí-lo, vários contratos de artistas jamaicanos com gravadoras major foram pro vinagre. Isso sem falar nas bandas multiraciais do movimento two-tone, como o Madness e o Specials, e em bandas "brancas" de reggae, como o The Police e o UB-40. Agora, nenhum manager de gravadora grande queria saber de rastas tocando reggae, pois os ingleses o estavam fazendo da sua própria forma.

Lendo o parágrafo acima, parece que o título do texto não faz o menor sentido. Aí que tá (de novo). O roots reggae já estava morto há muito tempo. Bob Marley pode ter contribuído para o fim do roots no mundo. Mas no seu berço, a Jamaica, a onda agora era o dancehall. E há uns bons dois anos.

No dancehall (música), praticamente não se falava de roots & culture, ou seja, temas sociais, políticos e históricos. As letras passaram a girar em torno de assuntos mais hedonistas e ligados ao dancehall, como novas danças e slackness (putaria). Acho que o jamaicano, cansado de esperar as coisas melhorarem, talvez tenha perdido a esperança. A situação da ilha nunca havia estado tão ruim (leia o texto sobre política jamaicana nos arquivos do dubblog), e nos dancehalls (bailes) e sound systems, o povo queria relaxar, esquecer o terror e pânico dos guetos e curtir uma puta night. Have a little fun, yunno?
De qualquer forma, o roots ficou um tempão na Jamaica, recorde para quem sempre mudou de som a (forçando um pouco a barra) cada verão.

Musicalmente, o dancehall é mais pobre que o roots. Uns acham que que sua maior qualidade está nos deejays, que se tornavam cada vez mais originais, inventando estilos e trazendo a euforia e animação dos soundsystems para o vinil. Mas, quer saber, é bom pacas. É um estilo que ainda não sei muita coisa, mas que tenho ouvido cada vez mais. No dancehall, a batida fica mais arrastada, numa marcha lenta que é irresistível, e baixo e bateria ganham força sobre-humana. Como diria o VJ Gastão em tempos de MTV: "porrada na orelha". Recomendo os deejays General Echo ("o mais original desde Big Youth", segundo o estudioso Steve Barrow), Lone Ranger (o disco "M16"), Brigadier Jerry (o mais rasta de todos, escutem o disco "Jamaica Jamaica" e a música "Pain") e Eek A Mouse (o disco "Wa Do Dem"). Os cantores Barrington Levy (seu primeiro álbum, "Bounty Hunter", de 79, foi um grande template para os que vieram depois; as músicas "Murderer" e "Under Mi Sensi"), Johnny Osbourne (o disco "Truths and Rights") e Sugar Minnot (os discos "Live Loving" e "Black Roots") também valem a audição.
É a partir do dancehall que o riddim toma uma proporção absurda, deixando as novidades em termos de riddims quase que em extinção. O que é mais um motivo para os críticos falarem mal do dancehall, é mais um motivo para apreciá-lo, pois cada música nova que surgia tinha a missão de ser melhor que a anterior, o que acontecia na maioria das vezes. Monte um cd pirateado com o riddim Never Let Go, o preferidos dos produtores da época, e divirta-se.

No lado dub das coisas, não vivo sem dois petardos do Scientist, o engenheiro que se deu melhor no dancehall: "Dub in the Roots Tradition" e "Scientist Rids the Word of the Evil Curse of the Vampire". O primeiro é como se fosse uma ponte do roots com o dancehall, já que contém dubs de produções de Errol 'Don' Mais, pioneiro do gênero lá em 76, 77. Vejam só, com apenas 16 anos o Scientist mixou as músicas que estão nesse disco! Foi a partir de Don Mais que Henry 'Junjo' Lawes se tornou o mais famoso produtor de dancehall. Já um pouquinho mais velho (22), ele mixou o outro disco acima, um dos que eu mais citei aqui no dubblog.
É claro que deixei muita coisa boa de fora. Foi de propósito, quero que vocês compartilhem com sugestões.
FRANCISCO LINHARES
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