Terça-feira, Novembro 25, 2003
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Pelamordedeus, sugestões para um novo texto o mais rápido possível!
FRANCISCO LINHARES
comenta:




Terça-feira, Novembro 11, 2003
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Esse aqui é o link para a matéria comentada no texto do Vianna. Ainda não a li toda, mas pode acreditar que o material é fora do comum. É o "King Tubby Meets Rockers Uptown" dos textos de dub.

FRANCISCO LINHARES
comenta:





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Foi mal a demora na atualização do blog. Não é por falta de vontade que eu não escrevo, é por falta de tempo.
Essa matéria bem bacana saiu recentemente na Folha de São Paulo. Depois eu tiro xerox das fotos.
É muito legal de saber que um cara influente como o Hermano Vianna é chegado num reverb. Como curador de vários grandes festivais, há grandes chances de bons nomes do dub acabarem passando por aqui. Na parte das sugestões, destaque absoluto para os alemães Pole e Burnt Friedman, as últimas duas grandes descobertas que eu fiz do gênero. Para os próximos dias, fico devendo novidades.

Folha de São Paulo - Caderno Mais! - 09.11.03

"SINTETIZADORES DE PENSAMENTOS", OS JAMAICANOS KING TUBBY E
LEE "SCRATCH" PERRY INICIARAM NOS ANOS 60 UMA REVOLUÇÃO CONCEITUAL E
TECNOLÓGICA QUE MUDOU O PANORAMA DA MÚSICA OCIDENTAL E ABRIU NOVAS
POSSIBILIDADES PARA A CULTURA DO TERCEIRO MUNDO

FILOSOFIA DO DUB

por Hermano Vianna

A bibliografia dos mais militantes textos antiimperialistas é uma
aula de imperialismo. Os autores básicos são sempre os mesmos: Karl
Marx, Theodor Adorno, Eric Hobsbawm, Stuart Hall e por aí afora, ou
melhor, cada vez mais para dentro de um certo "cânone" ocidental,
aquele que inventou a crítica do Ocidente. Quando aparece um
nome "fora-do-eixo", é fácil perceber as razões que motivaram sua
escolha: ou leciona numa poderosa universidade européia/norte-
americana ou teve algum dos seus livros publicado por essas
universidades. Mesmo a recente onda dos estudos "pós-coloniais", com
tantos nomes aparentemente indianos ou africanos fazendo sucesso, foi
produzida no âmbito das editoras, revistas acadêmicas e seminários
dessas universidades.

O resto do mundo, como nos chama a revista "Colors" (da Benetton),
segue com submissão efusiva (Sartre voltou à moda!) o "hit parade"
intelectual que povoa as páginas do "New York Review of Books",
do "Times Literary Supplement" ou dos "Actes de la Recherche".

Poucas vezes, a não ser em estudos muito especializados -e só lidos
obviamente por especialistas-, temos notícias sobre a produção
editorial (aqui incluo também a literatura) de países como a
Indonésia, o Japão, a África do Sul ou a vizinha Colômbia. Geralmente
esperamos que gente como Nestor Garcia Canclini, Kenzaburo Oe ou Mia
Couto faça sucesso em Londres, em Paris, na reunião da Modern
Language Association ou ganhe um Prêmio Nobel para que possamos
publicá-los, lê-los ou mesmo ouvir seus nomes no Brasil.

O Primeiro Mundo filtra as informações provenientes do "resto do
mundo" que devem chegar até nós, mesmo ao ambiente antipop de nossa
vida acadêmica. São raros os intelectuais brasileiros que mantêm
canais de comunicação frequentes com a produção universitária de
países "periféricos", sem a mediação de Harvard/Yale/Princeton ou de
seus representantes.

Pena: não temos nem idéia do que estamos perdendo (imagine o que
perderíamos se tudo o que pudéssemos ler sobre o Brasil fosse o que
foi publicado em inglês ou francês). Estamos deixando de estabelecer
contato com muitas novas idéias que poderiam ser importantes,
justamente por estarem baseadas em perspectivas saudavelmente
distanciadas dos padrões do Toefl ou CNRS (gostei de juntar os dois
níveis bem diferentes!) [1], para dar novos rumos a debates que se
tornaram insuportáveis com a reciclagem de duas ou três velhas
teorias eurobeligerantes. Por outro lado, deixamos também de ser
lidos por gente que pode nos fazer críticas não-viciadas pelas
últimas obsessões do filósofo francês ou sociólogo alemão em voga.


Por exemplo: qual foi o último livro de um autor jamaicano publicado
no Brasil? Houve um primeiro? Acho que não. E quem decidiu, por todos
nós, leitores brasileiros, que tudo que é escrito na Jamaica ou por
jamaicanos não nos interessa?

Tive o prazer de ter "O Mistério do Samba" [ed.Jorge Zahar] publicado
na Jamaica -e também em Barbados e Trinidad e Tobago- pela University
of West Indies Press. A editora jamaicana me convidou (junto com a
embaixada brasileira em Kingston) para promover o lançamento com
palestras e noites de autógrafos. Aceitei o convite sem pestanejar.
Afinal, totalmente ignorante com relação à produção universitária
caribenha (descontando alguns livros cubanos comprados nos anos 70),
foi com surpresa radical e enorme alegria que recebi a notícia do
interesse jamaicano em publicar o meu livro. Tenho uma razão muito
pop para ter ficado tão alegre. Jamaica, para mim, sempre foi país
amado e respeitado por, antes de ser a terra do reggae ou de Bob
Marley, ser a terra do dub. Muita gente pode não ter noção do que
estou falando. O dub foi a maneira que os produtores musicais e os
engenheiros de som jamaicanos inventaram, desde meados dos anos 60,
para fazer música e pensar a música. As canções deixaram de ser
encaradas de maneira linear. Os sons passaram a ser montados não-
linearmente, antecipando a maneira de editar textos/ barulhos/imagens
(o cortar-e-colar ou "cut-and-paste") que se tornou dominante a
partir da personalização dos computadores.

Tubby e Wittgenstein

As técnicas do dub, desenvolvidas por gênios -para mim tão geniais
quanto Ludwig Wittgenstein ou Roman Jackobson, mas não quero impor
meus critérios de julgamento para ninguém- como King Tubby ou
Lee "Scratch" Perry, estão hoje na base da totalidade da produção
musical de todo o mundo. Sem dub não haveria hip hop, tecno,
drum'n'bass ou mesmo o mais recente sucesso de Britney Spears ou Zeca
Pagodinho. No encarte do primeiro disco -lançado em 1999- da
gravadora de Bally Sagoo, um dos principais produtores/compositores
do pop indiano (tendo iniciado a onda de remixes das trilhas sonoras
de Bollywood), o dub está definido da seguinte maneira: "Estilo de
música com a combinação da contínua pancada da bateria com linhas
pesadas de baixo, acompanhadas por uma colagem de efeitos sonoros de
eco maluco em que os vocais estão esparsa, mas inventivamente,
ecoando ao fundo...". Uma definição certamente engraçada, mas
enganosa. O dub não é um estilo musical: é mais um procedimento
filosófico. O dub não é uma forma, mas sim um "modo de agenciamento
de formas". Roubo essas palavras de Jean Laude, um dos principais
pensadores da relação entre o modernismo e a África. Segundo Laude, o
que interessava a Picasso na "arte negra" não era o exotismo ou o
primitivismo, mas sim a maneira mais-que-moderna que as máscaras e as
estatuetas africanas propunham para se pensar o mundo visual, onde a
combinação, as redes de sentido e a "montagem" têm mais importância
que a organização via linearidade da lei da perspectiva. O que os
jamaicanos nos ensinaram com o dub era semelhante: uma outra maneira
de se relacionar com os sons, como se fossem elementos arquitetônicos
que podem ser combinados de muitas formas diferentes, não
privilegiando nenhuma dessas formas como a original. E fizeram tudo
isso por meio de uma revolução tecnológica tremenda e praticamente
sem recursos tecnológicos.

Brian Eno

O primeiro grupo de rock a aprender e utilizar o conteúdo mais
importante da lição jamaicana foi o Roxy Music. Brian Eno, tecladista
desse grupo, já usava sintetizador e era fã de La Monte Young e John
Cage -por isso conseguiu entender imediatamente a importância do dub.
Os produtores musicais jamaicanos não tinham sintetizadores nem,
acredito, informações sobre as pesquisas de ponta na música
contemporânea. Mesmo assim podiam e podem ser descritos como
filósofos. Na definição de Deleuze e Guattari, um filósofo é
um "sintetizador de pensamentos", um artesão de conceitos.

Os estúdios de gravação de Kingston eram precários (e continuam não
tendo condições de competir com os estúdios do Primeiro Mundo).
Lição: não precisamos ter os últimos "upgrades" ou as máquinas mais
poderosas para ter as idéias -ou inventar os procedimentos- que vão
determinar os futuros desenvolvimentos das máquinas que -por sermos
pobres- não podemos ter ou construir.

Os jamaicanos ainda se maravilham com o sucesso mundial do reggae,
como se até não fossem totalmente dignos de sua invenção.


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Tanto o dub quanto o reggae são produtos de uma corrente de energia
alternativa que sempre resistiu a ser submissa intelectualmente, com
a desculpa de ser pobre, em relação ao resto do mundo.

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Como um país tão pequeno, tão pobre, tão periférico foi capaz de tal
façanha? Ainda bem que tamanho e riqueza não são documentos. Tanto o
dub quanto o reggae são produtos de uma corrente de energia
alternativa que sempre resistiu a ser submissa intelectualmente, com
a desculpa de ser pobre, em relação ao resto do mundo. A Jamaica
poderia pensar/executar o que o resto do mundo nunca pensou/executou,
o que o resto do mundo seria obrigado a copiar. E foi o que fez.
Nenhum outro país do Terceiro Mundo tem presença tão marcante e
influente no cenário da nova cultura popular globalizada. Porém,
repito, mais que uma revolução musical ou tecnológica, o dub
significava uma revolução conceitual, tão importante para a música
pop como foram o aparecimento da música concreta para o
campo "erudito" ou o choque da edição "acossada" de Godard, ou -antes
dele- de Vertov, para o campo cinematográfico. Uma invenção como o
dub não surge totalmente do nada, sem conexão com outros focos
vizinhos de "novo pensamento". A "energia" (a "vibration", como dizem
os cantores de reggae) que alimentou a criação do dub deveria estar
presente em outros ambientes da vida intelectual jamaicana. E estava.
E está.

Skank, Paralamas, Gilberto Gil

Onde está? Não sabia, apenas intuía. Não sabia nada sobre a Jamaica,
além da música. O Brasil também não sabe. Apesar da importância cada
vez maior que o reggae tem entre nós. Exemplos? Ligue o rádio. Ouça
Skank, Natiruts, Paralamas, Cidade Negra, Gilberto Gil. Vá a São
Luís, no Maranhão, dançar juntinhos em qualquer festa de radiola.
Pense na maneira como os blocos afros de Salvador transformaram o
reggae em samba-reggae, base de toda a axé music. Que outro estilo
musical internacional tem tanta penetração no nosso gosto popular?

Mas, nesse gosto popular, a Jamaica é imaginada apenas como um
território mítico, uma ilha tropical, terra de Bob Marley, das
tranças rastas e da maconha. Mito é bom. Mas cair na realidade, de
vez em quando, pode ser melhor. Foi o que fiz, indo parar logo numa
universidade jamaicana, que nenhum turista visita (aliás turista que
vai para a Jamaica só fica em resorts praianos totalmente separados
da realidade do povo da ilha), mas é lugar extremamente revelador
sobre o que acontece de realmente importante no país.

A primeira revelação -bastante óbvia e que não deveria causar nenhum
estranhamento- que um brasileiro tem ao entrar numa universidade
jamaicana é ver que ali só há negros, do reitor ao servente, passando
por praticamente todos os alunos. Imediatamente ficamos tomados pela
vergonha de ter tão poucos negros nos nossos cursos superiores.
Passei horas sem ver um único outro "branco" nas imediações. Fiquei
alegre por ser tão minoria.

Minha primeira atividade no campus não poderia ser mais adequada
para uma imersão profunda -com jeito de tratamento de choque- na
sociedade local. Era uma palestra do Tony Rebel, estrela politizada
do ragga, o estilo mais popular do reggae atualmente. Sem muita
preparação, caí dentro de um debate em que todos os ânimos estavam
exaltados. Era para mim impossível acompanhar o que estava
acontecendo, pois ninguém no recinto falava, literalmente, o mesmo
dialeto. Havia um professor com sotaque de Oxford.

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Voltei da Jamaica com uma idéia fixa: a da necessidade de haver no
Brasil seminários pop-acadêmicos em que nos fossem apresentadas a
cada vez as complexidades surpreendentes de pensamentos produzidos em
partes diferentes do mundo, partes tão distantes do "centro do mundo"
quanto o nosso país.

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Tony Rebel falava o inglês esperto das ruas de Kingston. Um estudante
vociferava em crioulo, e, outro, na linguagem especial dos
rastafáris. Ninguém trocava de "estilo linguístico" ao falar com os
outros. Mas todo mundo se entendia perfeitamente. Todo mundo ali era
barulhentamente poliglota, menos eu.

A palestra tinha sido organizada pela Reggae Studies Unit, um centro
de estudos da cultura popular jamaicana, responsável entre outras
coisas pela Bob Marley Lecture, importante palestra anual que já
contou com a participação de Omar Davis, na época ministro da
Fazenda, dissertando sobre a contribuição de Peter Tosh para a
identidade nacional. Fundadora da Reggae Studies Unit, Carolyn Cooper
atuou como uma espécie de cicerone no meu tour pela academia
jamaicana.

Não poderia haver guia melhor. Carolyn é autora de um livro
brilhante, chamado "Noises in the Blood" (o subtítulo é "Oralidade,
Gênero e o Corpo "Vulgar" na Cultura Popular Jamaicana"), que deverá
ser lançado no Brasil. Há vários capítulos que são de leitura
obrigatória para quem debate o pop contemporâneo de qualquer lugar do
mundo: um que faz a análise literária das letras de Bob Marley; outro
que leva o "dancehall" (outros intelectuais jamaicanos desprezam essa
nova forma de reggae, do mesmo modo como o funk carioca é desprezado
entre brasileiros) a sério e ainda outro que disseca o filme "Harder
They Come".

Todos esses assuntos convivem dentro de uma trama conceitual
caribenha ou negro-atlântica, em que aparecem lado a lado pensamentos
de Edouard Glissant, Derek Walcott, Zora Neale Hurston, George
Lamming, Paul Gilroy, Mutabaruka, Shabba Ranks e da magnífica Louise
Bennett, pioneira no uso do crioulo jamaicano como língua literária,
autora -nos anos 50- do poema "Colonização em Reverso", que
profetizava ironicamente a importância que os imigrantes jamaicanos
iriam ter na cultura da Inglaterra de hoje.

Entre exemplos tipicamente locais, nos quais quase sempre nos
reconhecemos, descobrimos também atalhos para novas maneiras de
perceber nossas velhas obsessões nacionais, como a questão da mistura
de culturas e raças.

Voltei da Jamaica com uma idéia fixa: a da necessidade de haver no
Brasil seminários pop-acadêmicos, pelo menos anuais, em que nos
fossem apresentadas a cada vez as complexidades surpreendentes de
pensamentos produzidos em partes diferentes do mundo, partes tão
distantes do "centro do mundo" quanto o nosso país. Espaços de
reflexão onde nós pudéssemos conviver com as idéias de gente como
Carolyn Cooper ou Epeli Hau'ofa (de Tonga) ou Renato Constantino (das
Filipinas -isso só para ficar em ilhas) ou mais gente que
infelizmente não conheço, gente que nos faça pensar coisas
diferentes, diferentemente, bem longe do lugar-comum do nosso velho
conhecido euro-norte-americano. Fica aqui meu apelo: por canais
diretos de comunicação intelectual com o mundo! Com o mundo inteiro!

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Nota da Redação 1. O Toefl é um exame que testa o nível de inglês,
exigido de estrangeiros que queiram ingressar em universidades norte-
americanas. O CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), sediado
em Paris, é um dos principais centros de fomento à pesquisa na França.

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Hermano Vianna é antropólogo, autor de "O Mundo Funk Carioca" e "O
Mistério do Samba" (ed. Jorge Zahar).


+ saiba mais

Techno

Música dançante eletrônica que utiliza batidas rápidas, produzida
exclusivamente com material sintetizado. O tecno se iniciou em
Detroit (EUA), nos anos 80, quando os produtores musicais Derrick
May, Kevin Saunderson e Juan Atkins fundiram o pop eletrônico da
banda alemã Kraftwerk com o electrofunk do Afrika Bambaataa e do
músico norte-americano George Clinton.

Drum'n'bass
Proveniente do "jungle" -estilo com batidas sincopadas, surgido em
Londres em 1992-, o drum'n'bass possui elementos jazzísticos e
instrumentais. As batidas rápidas foram desaceleradas e passaram a
ser misturadas a efeitos de dub e a linhas de baixo sintetizadas, com
o uso constante de samplers (colagem de trechos de uma ou de várias
músicas).

Hip hop
Movimento cultural surgido em Nova York que ganhou popularidade nas
décadas de 80 e 90. A expressão engloba algumas manifestações da
cultura negra, como dança, grafite, técnica de discotecagem e rap. O
início do movimento pode ser atribuído a Kool Herc, Grandmaster
Flash, que começaram a explorar o uso de novas batidas dançantes na
década de 70.

Rap
Estilo criado nos guetos de Nova York na metade dos anos 70 e
popularizado na década seguinte. Nele, os vocais são declamados sobre
uma batida simples, pré-gravada. Geralmente, os temas das músicas
abordam as desigualdades sociais, a violência e a vida de minorias
étnicas. O nome vem de "rhythm and poetry", o jeito de cantar falando.

o dub ontem e hoje

O dub nasceu nas pistas de dança da Jamaica, no final dos anos 60,
quando DJs começaram a remover as letras e melodias de sucessos do
reggae, colocando em evidência sua parte rítmica (baixo e bateria) e
recheando os espaços com ecos e efeitos. Na pista, as pessoas
cantavam suas próprias letras por cima desse esqueleto musical. Na
década de 70, o dub ganhou uma forma mais elaborada: com recursos de
estúdio, as bases melódicas começaram a ser totalmente refeitas por
meio de remixagens, eco e outros efeitos sonoros. Entre seus
fundadores, estão os jamaicanos King Tubby (1941-89) e Lee "Scratch"
Perry (1936). A partir dos anos 80, o dub passou a contar com nomes
como Mad Professor. A penúltima edição da "LA Weekly" traz um amplo
dossiê sobre a história e o estado do dub hoje, destacando o perfil
de um de seus principais criadores, Hopeton Brown (conhecido
como "Scientist"), e sua influência sobre o rock, como nas bandas The
Clash e Beastie Boys. A revista aponta como principais álbuns do
gênero "Dangerous Dub", de King Tubby, "Upsetter in Dub", de Lee
Perry, "Living Dub, Volume One", de Burning Spear, "Uhuru in Dub", de
Prince Jammy, e "King Tubby Meets Rockers Uptown", de Augustus Pablo.
Conheça a seguir alguns dos novos expoentes desse estilo em todo o
mundo, segundo a "Weekly":

Twilight Circus Dub Sound System - Ryan Moore, ex-baterista da banda
Legendary Pink Dots, faz a música mais pesada, bem produzida e
criativa do dub atual.

Rhythm and Sound - os álbuns "With the Artists" e "Versions" (2003)
estão entre os melhores no gênero, com músicas de apenas dois acordes
e efeitos sonoros.

Christafari - o músico Mark Mohr, de Los Angeles, faz o que chama
de "gospel reggae".

Alpha & Omega - dupla londrina que faz um dub com referências hippies
e elementos orientais.

Dub Syndicate - liderado pelo produtor Adrian Sherwood, que já
trabalhou com U-Roy, Lee Perry e Aswad.

DJ Spooky - DJ experimental, nascido em Washington, com influências
do reggae, drum'n'bass e soul.

Slightly Stoopid - reggae-pop e punk para adolescentes, com efeitos
de dub repetitivos e hipnotizantes. Dub Gabriel - de Nova York, faz
uma música com tendências para a worldmusic e o drum'n'bass.

Kazufumi Kodama - Tranquilo, hipnótico, conduzido por melodias
jazzísticas, mas com um fundo inconfundível de reggae. "Stars" (2003)
é seu quarto álbum.

Burnt Friedman - DJ alemão que explora o experimentalismo musical no
dub, hip-hop e jazz.

Pole - projeto do DJ alemão Stefan Betke, que trabalha com um alto
nível de simplificação rítmica.

Coletâneas - "Babylon Is Ours - The USA in Dub" (Select Cuts)
e "J.Boogie's Dubtronic Science" (Om)


FRANCISCO LINHARES
comenta:




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