dub

 
             

   
 
 
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Sexta-feira, Agosto 29, 2003

 
Tá demorando, eu sei, mas daqui a pouco coloco coisa nova por essas bandas. Vai ser um texto que já deveria ter sido escrito há muito tempo. Aguardem que é coisa boa.
FRANCISCO LINHARES - 12:58 PM

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Sexta-feira, Agosto 22, 2003

 
Vai encarar?

FRANCISCO LINHARES - 9:18 PM

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Terça-feira, Agosto 19, 2003

 
Tirei esses cremes de uma página foda, cheia de links para filipetas, capas de revista, matérias, anúncios. Tudo da época.




FRANCISCO LINHARES - 9:35 PM
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Outra definição de dub
Essa eu tirei do livro do Calbuque, "O Eterno Verão do Reggae", mas quem escreveu é um tal de Luke Ehrlich, autor de Reggae International:
"Dub é a música psicodéica que eu esperei ouvir nos anos 60 e nunca consegui. É o baixo e a bateria nos conduzindo por uma viagem espacial, os sons suspensos como planetas e fragmentos dos outros instrumentos surgindo aqui e ali, deixando um rastro luminoso na sua passagem, como meteoros."
Inspirado, Calbuque complementa: "A descrição de Ehrlich pode não passar num exame antidoping, mas define bem o que é dub e dá um bom exemplo do que é ouvi-lo no quarto a todo o volume. Dub é o reggae em embalagem para viagem. É o ritmo em transe, uma trip light na qual a cannabis substituiu o LSD."
FRANCISCO LINHARES - 9:13 PM

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Sábado, Agosto 16, 2003

 
Um pouco de política na Jamaica dos anos 70
Não sei como é agora, mas a política jamaicana, pelo menos durante os primeiros 20 anos após sua independência (1962), era bi-partidária. De um lado, JLP (Jamaican Labour Party), de direita. De outro, PNP (People's National Party), de esquerda.
Em 1972, o PNP ganhou sua primeira eleição, utilizando uma estratégia de campanha muito interessante, decisiva para o sucesso do partido. Michel Manley, eleito primeiro ministro da Jamaica, vinha de anos e anos como líder sindical e, portanto, sabia lidar com a grande massa trabalhadora, a maioria absoluta do povo. O que ele e sua equipe fizeram para conquistar o coração do eleitorado? Adotaram o reggae e sua retórica como principal aliado.
Nos discursos que promovia, Manley falava na condução dos jamaicanos à terra prometida, a Etiópia, na legalização da maconha, e que dias melhores viriam. Não é a toa que, "Better Must Come", de Delroy Wilson, virou o tema musical da campanha. Numa sacação absurda, o PNP montou um trio elétrico, chamado "Musical Bandwagon", com a função de percorrer a Jamaica - fato raro na política da ilha, que só concentrava seus esforços ao redor de Kingston - fazendo comícios, distribuíndo santinhos e promovendo shows ao vivo, como os de Bob Marley, Clancy Eccles, Alton Ellis, Dennis Brown e Inner Circle. Mais o ato mais esperto de Manley, foi usar, sempre que aparecia em público, o "rod of correction", cetro que Haile Selassie, Jah Rastafari, o havia presenteado durante uma visita a Etiópia. Para os rastas, nada mais era necessário. Manley era o escolhido. Pode paracer ingênuo demais acreditar nisso tudo, mas o fato é que o povo sofredor da jamaica acreditaria em qualquer coisa que lhe fosse dita com "jeitinho". Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.
Como era de se esperar, o governo do PNP foi um fracasso e uma grave crise era eminente. Gangues pipocavam por todos os lados e as duas principais fontes legais de renda caíram vertiginosamente: a exportação de bauxita e o turismo.
A reeleição, obtida em 1976, só foi conseguida porque Michel Manley dizia que o governo de Edward Seaga (também conhecido como CIA - Ga), presidente do JLP, seria ainda mais desastroso. Além disso, ele defendia que o PNP pertencia ao povo negro, uma alusão ao fato de Seaga ser descendente de sírios.
O segundo mandato foi ainda pior que o primeiro. A violência chegou a tal ponto que beber uma cerveja Red Stripe numa área controlada pelo JLP era pedir pra tomar tiro. A gota d'água para o surgimento de violentas revoltas contra o governo foi a "Operation Buccanear", envio de tropas militares americanas com o objetivo de destruir as plantações de maconha da Jamaica. Era uma tentativa desesperada de fazer uma média com os EUA, e, com isso, reaver os investimentos de multinacionais que haviam sumido graças a aproximação jamaicana de Cuba e países com movimentos de guerrilha.
O irônico da história, é que o PNP foi eleito pelo reggae, mas também foi deposto pôr ele. De 73 até 1980, quando o PNP perdeu as eleições, a Jamaica conheceu seu período musical e cultural mais fértil, o reggae roots. O caso jamaicano está aí para confirmar a tese de que a produção cultural de um país se intensifica quando este é posto mediante graves condições.
FRANCISCO LINHARES - 2:11 PM

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Terça-feira, Agosto 12, 2003

 
Top 10 melhores capas de reggae/dub
-10-

Esse disco, além de ser o com a capa mais legal da série Scientist/Greensleaves é também o melhor. Gravado numa sexta-feira 13 e com músicas como "Cry Of The Warewolf" e "Your Teeth In My Neck" (dubs de músicas do Michel Prophet) ele é assustadoramente bom, fazendo a alegria de fãs de dub e, porque não, de filmes de terror.

-9-

Não sei nada sobre esse disco, a não ser que a capa é muito foda! Os destaques ficam para a camiseta comemorando os 10 anos da Taxi, gravadora do Sly & Robbie e para o sorriso sensacional do nosso amigo Minnot. Tosqueira pura.

-8-

A obra prima da Jamaica tem uma capa cascuda, cheia de detalhes, mas o grande astro é o macacão, cheio de rango na barriga e com uma baseado na mão. Dub it up!

-7-

O que são essas gotas d'água no cabelo do Cedric Myton? Bizarro. Gosto muito dessa fonte com o coqueiro.

-6-

Começa a aparecer uma certa sofisticação por aqui. Acho essa ilustração bem estilosa, com um clima até meio macabro, eu diria. Serão mãe e filha? Jesus Dread!

-5-

Foi mal pelo corte na capa, mas é que a foto do disco não coube no scanner. Ficou faltando o nome completo do DJ Ranking Trevor.
Isso é muito psicodélico, viagem total. O espelho que rola tem um clima muito 70's, não?

-4-

Capa que podia ser de qualquer disquinho de downtempo com influência afro hoje em dia. Irie cool.

-3-

O bicho começa a esquentar por aqui! O que será que está acontecendo na foto? Strip-tease? Assalto? Dr. Alimantado era tão hype que lançou a moda na Jamaica de andar com o sapato desamarrado. Esse disco é produzido por uma galera, com destaque para as músicas gravadas pelo mago Lee Perry: "I Am The Greatest Says Mohammed Ali", "Can't Conquer Natty Dreadlocks", "Ride On" e a melhor de todas, a música título.

-2-

Merchandising gratuito para a Honda CB200, a motoca mais rasta da Jamaica.

-1-

Sem comentários, a capa mais foda de todos os tempos!


FRANCISCO LINHARES - 7:23 PM

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Quarta-feira, Agosto 06, 2003

 
Hoje

FRANCISCO LINHARES - 11:02 AM

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Terça-feira, Agosto 05, 2003

 
Entrevista com Marcus Paulo do Digitaldubs Soundsystem

Digitalcrew: Haroldo Mourão, Nelson Meirelles, Marcus Paulo (mpc) e Cristiano Dubmaster

A primeira entrevista do dubblog só poderia ser com algum membro da equipe do Digitaldubs Soundsystem, primeiros DJ´s a fazerem festas exclusivas de dub no Rio.
Mpc, solte o verbo:

Primeiros contatos com o dub
"Nem me lembro ao certo quando conheci o dub (ele faz isso com a gente de vez em quando). Sempre gostei de reggae, não era um conhecedor profundo, mas sempre gostei da vibe e não tinha aquela frescura de reggae roots. Gostava de tudo que tinha a onda jamaicana, até mesmo lovers rock. Acredito então que já ouvia uns dubs de lambuja. Entretanto, foi através da música eletrônica que cheguei no universo dub. Em 96, praticamente só queria ouvir drum'n'bass, e sentia a raiz da parada no reggae.
Sempre fui um cara a procura de coisas novas, lia muita revista de música e "aprendi" o que era dub. O primeiro disco de dub que tive deve ter sido "Mad Professor Captures Pato Banton". Me amarrei nos efeitos imprevisíveis e espontâneos e os timbres eletrônicos. Depois ouvi falar em Lee Perry (uma vez saiu no Rio Fanzine uma matéria do Calbuque falando do Pee Perry e fiquei mais instigado). Depois o Audio Galaxy ..."

Nascimento do Digitaldubs Soundsystem
"O Digitaldubs nasceu no meu computador, realmente ele é digital! Eu comecei a brincar de fazer musica eletrônica e minha maior influência era o dub. Eu comecei a assinar Digitaldubs Soundsystem, por que gostava de nome de banda grande, tipo Big Audio Dynamite, John Spencer Blues Explosion...
Então, bolei umas festas no Sebo Batatos da Ribeiro, lá em Copa. O nome da festa era 'Tirando a poeira do Sebo', com Digitaldubs Soundsystem. Chamei dois amigos pra fazerem o som comigo, o Mosca, que também gosta de dub e o Robledo, que é DJ de drum'n'bass. Fizemos dois dias lá e foi muito foda. Participaram ainda o Nobru e o Rramos tocando percussão e o Kalunga fazendo uns freestyles cheio de delay. Foi por causa dessa festa que eu conheci o Nelson Meirelles, que depois de um tempo acabou entrando pro DD."

De amante do dub à DJ
"Desde moleque eu era responsável por botar o som das festinhas da galera. Meu primeiro disco acho que foi 'Triller' do Michael Jackson. Depois até participei de equipe de som de funk. Até hoje curto black music, que compro em sebos. Devo ter uns 1000 vinis. Mas, foi só com o dub que comecei a levar o lance a sério, e o escolhi não só por causa da minha identificação com o som. Acho que queria que tivesse algum lugar onde se pudesse ouvir e dançar dub, e isso não existia! Não tinha ninguém fazendo isso de verdade. Isso me motivou.

Cena carioca e paulista
"Hoje está bem mais fácil do que na primeira festa (dois anos atrás), quando ninguém sabia o que era dub. Hoje muitos já ouviram falar, mas às vezes eu entrego filipeta e playboy nunca ouviu falar de ragga.
Em São Paulo as coisas estão um pouco mais avançadas. Toquei lá na festa do Yellow P e no Bumba Beat, do Otávio Rodrigues. Em Sampa já há uma noite fixa pro dub, toda sexta, existe um publico mais formado. Aqui nosso público não é muito certo, o que tem um lado ruim e bom, que é uma mistura de gente nas festas.
Nossa melhor apresentação, pelas conjunções astrológicas, foi esse ano, numa festa que produzimos na Spin, em Ipanema, quando o DJ Walking Stick, americano da Liquid Sky, veio ao rio. Legal que ele também achou que foi o melhor set que ele fez no Rio. Engraçado que foi uma festa marcada em cima da hora, com zero reais pra investir e deu tudo certo, maior vibe."

Pedem muito pra você tocar Bob Marley?
"Pedir Bob Marley é quase sempre, e nem acho o problema tocar. Na verdade, ele é o maior ícone do reggae e sempre vão pedir Marley. O problema é que neguinho só conhece Marley e quer Marley o tempo todo. Então eu toco uma versão dub de Marley e depois solto os lançes mais cavernosos. Aí fica tudo certo. Tem gente que perde a noção e pede coisas nada a ver, como tocar forró, hip hop, e umas bandas que não dá pra tocar, principalmente quando a gente toca na rua, é até engraçado."

Filosofia Rastafari
"Acho maneira a filosofia, tem vários detalhes positivos. 'Life, Love and Unity'. Mas não dá pra levar ao pé da letra, e ganja no rastafari não é tão banalizada como playboy acha que é."
"Ter dread não te faz um rasta.
Usar a erva não basta,
se a babilônia se alastra."

Cena atual na Jamaica e no mundo
"Da Jamaica só sai ragga, que eu acho o som mais original e experimental dos dias de hoje, mais que qualquer música eletrônica do mundo. O dub hoje é feito na Europa, um pouco na EUA e mais um pouquinho no Japão.
O dub sai do underground misturado com outros sons, influenciando como vem acontecendo direto, mas o dub por si só foi feito pra ser originalmente um som alternativo, não é a toa que era chamado simplesmente de version."

Uma vez, li numa entrevista, que o Adrian Sherwood era o grande responsável por transformar pessoas em amantes do dub, mesmo odiando reggae. Isso é possível?
"Já vi gente que fala que gosta de dub mas não gosta de reggae. Eu não consigo me ver nessa. Não que eu escute ou faça só reggae, o dub às vezes extrapola o universo do reggae, que é muito grande. O Digitaldubs tem como filosofia usar todas a possibilidades do reggae e do dub pra fazer um som bom, do Lee Perry até o Thievery Corporation."

Super Ape X King Tuby Meets Rockers Uptown?
"Caralho, essa é foda! Dois clássicos absolutos. O primeiro é mais pesado, tenho em vinil uma reprensagem de 180g, Simply-Vynil, o som é absurdo!!! Talvez por isso toco mais ele nas festas. O segundo é mais suave, meditação total! Faz qualquer um se apaixonar por dub. O Augustus Pablo era mágico."

Channel One X Joe Jibbs?
"Tenho pouca coisa do Joe Gibbs, mas o Channel One foi essencial pro reggae e pro dub. O Channel One foi pro rockers o que o Studio One foi pro rocksteady, definiu o ritmo. O que vinha do Channel One tinha Sly & Robbie, só isso diz tudo, eles são os fodões, e quase tudo do Channel One ia ser mixado (e versionado) pelo King Tubby.
Então, Channel One."

Rockers X Steppers?
Essas definições são complicadas, principalmente se tratando de Jamaica, onde nego consegue escrever o nome do artista errado na capa! Acho que o stepper está englobado no rockers. Estou me especializando na batida do steppers. É perfeito pra pista.

Java X Swing Easy?
"Nosso especialista em riddims é o Cristiano."

Vida pessoal e projetos futuros
"Além de trabalhar com música, trabalho com imagem. Sou designer gráfico. Mas vejo tudo como uma coisa só, crio e penso música e imagem da mesma forma. Eu mesmo fiz o site do Digitaldubs, as camisas, as filipetas, alguns dos vídeos que vão passar na festa. Já estou pensando no clipe. Gosto também de fazer trabalhos coletivos, faço um fanzine chamado Bandit. A última edição veio com CD e quero fazer agora uma coletânea em vinil, projeto que estou pensando pra daqui a pouco. Estou querendo fazer trilhas comerciais também."

Festas em agosto
"Na Casa Brasil-Nigéria estamos preparando um combo, vamos discotecar e junto com isso inserir vários elementos, pra fazer um dub 'live and direct'. A galera de hip hop mais de ponta do rio, que é o pessoal da Brutal crew (inumanos) e do quinto andar, também vai fortalecer e fazer um mix com dub e ragga. Então quem for lá vai ver muito mais do que duas pickups tocando."

Promoção
As duas primeiras pessoas que disserem 'dubwise', ganham convites duplos pra festa do Digitaldubs Soundsystem que rola amanhã na Casa Brasil-Nigéria.
FRANCISCO LINHARES - 12:39 PM
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Dub Rave

Sensacional a idéia dessa festa. Só não entedi direiro aonde ela será, se em São Paulo ou Minas.
FRANCISCO LINHARES - 11:20 AM

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Segunda-feira, Agosto 04, 2003

 
SOMA
Chegou a hora (finalmente), de divulgar o outro blog que tenho, o asomadaspartes. Digo finalmente, porque só agora, depois de algumas mudanças de template e vários erros técnicos, é que ele ficou redondinho.
Boa leitura.
FRANCISCO LINHARES - 12:26 PM

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Sexta-feira, Agosto 01, 2003

 
Dub?
Gosto de colecionar definições sobre "o que é dub". Vou passar a colocá-las aqui, de vez em quando. Essa aí, tirei do ótimo livro "Paraíso na Fumaça", de Chris Simuneck, um relato sobre viagens e viagens de um jornalista da High Times. Vamos lá:
Dub é a variante mais experimental do reggae, quando produtores descobrem, usando técnicas de estúdio rudimentares, que é possível fazer versões alternativas de músicas usando apenas os elementos já gravados. É o pai do atual remix. Invariavelmente associado ao farto consumo de maconha e ao níveis elevados de consciência canábica, o dub desacelera a versão original, tirando vocais e guitarras do primeiro plano musical, dando espaço para a cozinha da faixa: baixo, bateria e teclados. É uma espécie de radiografia do reggae, o foco voltado para a estrutura da canção. O pai do dub é o produtor King Tubby, professor de mestres do gênero, como Lee 'Scratch' Perry, Augustus Pablo e Bunny Lee."
Fora a última frase, um tanto equivocada, é uma definição e tanto.
FRANCISCO LINHARES - 9:24 AM

 

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